terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nova Friburgo, como te amo.



Ah se eu pudesse voltar aos anos de 1977/78, quando tinha 17/18 anos eu vivia o corre-corre do curso de Odontologia na bucólica cidade de Nova Friburgo. Nestes anos, experimentava a expectativa de realizar um sonho, tinha uma graduação pela frente, uma carreira inteirinha para construir. A responsabilidade de fazer tudo para conquistar um lugar no mercado de trabalho. A necessidade de aproveitar ao máximo todas as possibilidades que a Faculdade de Odontologia de Nova Friburgo (FONF) pudesse me oferecer e com isso, um dia conquistar uma posição elevada no desempenho profissional e poder competir em melhores condições dentro do difícil mercado de trabalho. Esse era o meu objetivo principal naqueles anos.

Eu conheci assim a cidade de Nova Friburgo, passei os melhores dias da minha juventude ali, estudando, me envolvendo com as coisas do local, explorando os seus recantos adoráveis, correndo por suas avenidas arborizadas, às margens do rio Bengala, nadando na piscina do Clube Xadrez, namorando na Praça Getúlio Vargas, escalando até a Pedra do Cão Sentado...  Como eu amava aquela cidade que me acolheu tão bem em minha mocidade. 
Em Friburgo eu colei grau como Cirurgião Dentista no ano de 1983, em cerimônia realizada no Colégio Anchieta, trabalhei com a dedicação nos primeiros anos de minha clínica, no consultório do Professor Doutor e Cptão. Gustavo Farias, como assistente do Buco-Maxilo-Facial  Pof. Dr. Mário Capideville no Hospital Municipal, trabalhei Pronto Socorro Municipal Dr. Silvio Henrique Brauner, como residente em odontologia.  Namorei e me casei com a mulher que viria ser mais tarde, a mãe da minha única filha de sangue (Fernanda).
Conheci muitos amigos, me diverti demais e como aprendi como cresci naquela cidade.  Aprendi a respeitar a natureza, respeitar a história do lugar, assim como a história dos seus habitantes. Compreendi que para se vencer na vida é preciso antes de qualquer coisa reconhecer que somos criaturas insignificantes comparados a grandeza e com a diversidade do nosso mundo.  Aprendi ainda, que cada um de nós é uma parte constituinte da natureza de Deus, e por causa disso devemos ser sempre respeitado. As pessoas que cruzarem os nossos caminhos merecem à cima de tudo, respeito, além de consideração e amor. Porque quanto mais longe a nossa inteligência puder alcançar, tanto mais perto estivermos de todo entendimento, mais certeza teremos de que não sabemos nada. “Que do pó fomos criados e ao pó vamos retornar.”

Em Nova Friburgo eu conheci o amor, foi naquela cidade que me pela primeira vez me vi apaixonado. Em primeiro lugar pela cidade em si, ela que com a sua arquitetura colonial, com seu clima temperado, e com o seu povo tão educado, uma gente tão boa e bonita, dessas que fazem questão de estar sempre bem arrumadas, sempre bem pronta, e sempre de bem com a vida. Um tipo agradável de pessoas amigas, que perdem tempo em se preocupar com a origem das famílias, com o sobrenome das pessoas... Eu amei aquele lugar desde meu primeiro momento por ali, junto aquelas praças, nas pizarias (Dom Carreiro), nas Cantinas Populares, no Teleférico da Praça do Suspiro, no Alto da Caledônia, Cônego, Olaria... Quantas recordações agradáveis eu tenho da cidade de Nova Friburgo.


Ah! O Teleférico de Nova Friburgo, quantos passeios por cima daquele morro.  A galera da minha turma adorava excursionar por ali. Vivemos tantos momentos felizes andando naquele teleférico e admirando a vista da cidade - tão bonita lá em baixo.  No alto era possível observar a cidade inteira, e lá de cima podia-se sentir todo o frescor da montanha. Dava um friozinho na barriga e medo tão grande andar naquele teleférico, quase sempre faltava energia e ficávamos dependurados ali, no meio do nada, só escutando o silêncio. Era o silêncio da montanha. E nós? Nós éramos todos igualzinho ao Benito de Paula, Friburguense ilustre que se dizia “homem-da-montanha.” Éramos tão felizes ali naquela cidade de colonização predominantemente suíça e alemã., eu, minha mãe (Neuza), meus dois irmãos (Eduardo e Denise).
Agora, experimentando a sensação dolorosa de nunca mais andar naquele Teleférico, no teleférico dos meus amores e da minha juventude em Nova Friburgo.  Sentindo um misto de dor e de perda, uma angustia desmedida que invade a alma e atormenta o coração. Uma compaixão imensa daqueles que como eu amo Nova Friburgo, não sei explicar o sentimento deixado pela tragédia das chuvas dos últimos dias. Um misto de pavor e dor, um amontoado de sentimentos desconexos, que funde a dor dos que ficaram órfãos com a dos que não possuem mais onde morar. Que coisa horrorosa foi acontecer com a cidade da minha juventude. Como conseguirão reerguer todos aqueles que como eu, amam aquele lugar? Essa é a  perguntas que com certeza só o tempo poderá trazer a resposta.

Cabe a nós metabolizar a perda, realizar o milagre da reconstrução e continuar juntos com esperança de encontrar um futuro verdadeiramente melhor. Longe da indiferença daqueles que deveriam tomar sobre si a responsabilidade de salvaguardar, primeiramente a vida humana e depois a integridade de todo nosso Patrimônio Histórico e Cultural. Salvaguardar as nossas cidades, os lugares em que vivemos nossa mocidade e crescemos como seres humanos.  Lugares que hoje, talvez pela incompetência daqueles que deveriam zelar por nossa integridade, estão hoje completamente arrasados, assim como se tivessem sido palco de uma batalha sangrenta. Assim como se tivessem sido alvo da ira de Deus.

Mas verdadeiramente o nosso Deus não é homem para se desesperar, nem muito menos humano para se irar. O nosso Deus é o Deus do milagre, da regeneração e da vida. Ele virá em defesa de Nova Friburgo e fará renascer desse vale de ossos secos. E em breve ela estará outra vez fazendo transbordar de contentamento os nossos corações.

Nova Friburgo vai com certeza se levantar das cinzas desta grande tragédia, vai reflorescer e novamente se configurar entre as mais belas cidades da serra fluminense. Seu povo trabalhador e honesto, juntamente com os brasileiros que estão neste momento reunidos e solidários vão reconstruir a cidade. Independe mente desse governo omisso, que vive ensimesmado em suas demagogias políticas. Um governo incapaz de mover uma palha, para melhorar as condições de vida de uma população. Que não abre os seus cofres nesta hora de dor e que ainda tem a coragem de pedir ajuda, utilizando para isso a mídia que conclama a população para ajudar de todas as maneiras, doando tudo que for necessário, doando até mesmo o que for fazer falta, doando até o próprio sangue, para tentar realizar aquilo que compete a esse governo fazer.
Governantes Alheios as Necessidades do Povo

Porque o governo não vende os dólares entesourados sob pretexto de protegê-los da desvalorização?
Porque não abre as portas dos silos de armazenamento de grãos que estão estocados sob o pretexto de garantia de preço mínimo?
Porque cada Deputado, Senador, Vereador, assim como todos os seus párias não abrem mão neste momento de uma parte de seus vultosos salários para irem ao socorro daqueles que estão sem ter o que comer?
Porque a Caixa Econômica não libera todo o FGTS dos trabalhadores afetados pela enchente?
Essas são perguntas que nem mesmo o tempo com toda a sua exigüidade nos trará resposta.


 


Um comentário:

  1. Pois é Marcos. São tantas perguntas sem resposta neste momento. Meses atrás, durante campanhas presidenciais a conversa era completamente diferente.. Basta assumir para que todo o belo discurso desapareça e seja esquecido. Estou acompanhando o trabalho. Parabéns

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Sua participação é muito importante, porque não temos a pretensão de querer esgotar nenhum assunto.
Acredito que em se tratando de conceitos e ideias a quantidade deles influência no todo.
Obrigado por deixar aqui um pouco de suas verdades.